Isadora Couto
Hoje fiz uma entrevista de estágio em que pediram para os candidatos lerem e discutirem uma matéria sobre o que Vargas Llosa (Nobel de Literatura) pensa da cultura de hoje. Após ler aspas como “Podem dizer que a cultura se democratizou, que deixou de ser elitista, mas é um processo que gera conformismo” , “Nas artes, a palhaçada chegou a termos grotescos, a ponto de museus importantes pagarem centenas de milhões por um tubarão no formol” e “Com o desaparecimento de uma certa cultura, degrada-se o erotismo. Estamos nos animalizando” só tive vontade de dizer uma coisa: Vargas Llosa, seu hipócrita, utopista, conservador e VIRJÃO!
Certo, é um exagero da minha parte. Nunca li uma obra dele
(lerei agora depois dessa), e ele pode ser um gênio da literatura mesmo. E
justamente por isso, ele vende muito, e não por menos de 30 reais. Tá reclamando
da mercantilização da cultura, mas tá aí lucrando horrores. Afinal, o que ele
quer dizer com isso? Quer dizer que a cultura não pode ser inserida em
contextos mais desfavorecidos ou que a única coisa que deve ser distribuída por
aí são textos da Clarice Lispector?
Mas então, como diz o jornalista na matéria, a cultura é que precisa de formol? Isso me lembra do discurso de Monteiro Lobato criticando as
obras de Anita Malfatti, que comparava suas obras modernistas a “furúnculos da
cultura excessiva”. É claro que Lobato não entendeu a estética do modernismo,
assim como o escritor não entende o tubarão no formol (nem eu). Entretanto, sei que a arte é livre e deve
continuar assim, custe o que custar.
E por fim, declaração nenhuma é mais conservadora do que
idealizar o sexo. Nós somos animais mesmo, nós exalamos libido, queremos dar e
comer, na lata. Existem muitos sexos, e não é porque você quer deslizar os
dedos para sentir a pele macia de sua amada antes de tirar suavemente sua roupa
que devemos ignorar o “quero gozar” e ponto.
