Breve ficção política ou matando o mato

No Comments »

Viajando pelo interior de Goiás, meu estado nativo, observei a tristeza do nosso Cerrado destruído por extensas plantações, seringais e pastos cheios de gado. O medo de perder essa vegetação fez minha mente delirar em uma ficção política

Isadora Otoni


Viajando pelo interior de Goiás, meu estado nativo, observei a tristeza do nosso Cerrado destruído por extensas plantações, seringais e pastos cheios de gado. Também tive a oportunidade de ver algumas fazendas com grandes gramados onde outrora se observava nossas típicas árvores baixinhas e com troncos engraçados. Fiquei envergonhada, como goiana, de abrir mão da nossa natureza, que é sustentável por si só, para que grandes latifundiários façam suas plantações e exportem seus produtos para outros estados e outros países, como a soja e os derivados da cana. Em troca de tudo isso, só ganhamos uma terra infértil.

Para quem não conhece, o Cerrado funciona de uma forma incrível. Durante a seca, as árvores parecem semimortas, o solo se transforma em pó vermelho, o clima fica árido, e tem tanta folha seca no chão que um raio já provoca uma grande queimada na mata. Por isso, gosto de dizer que nosso Cerrado é como uma fênix. É com as cinzas dessas queimadas naturais que o solo se fertiliza e fica propício para o surgimento de frutos exóticos, como o pequi e o cajuzinho-do-cerrado. É nesse lugar aparentemente inóspito que vivem belas aves, micos e peixes da savana mais rica do mundo. É nessa região árida que se encontra as nascentes de três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul: Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata.

Fiquei tão envergonhada pela devastação desse bioma que meu medo se tornou uma paranoia. Sério, nessa viagem a angústia fez até minha mente bolar uma ficção política.

Vivemos em um Brasil com uma cultura totalmente colonizada por países ricos, como Estados Unidos, Alemanha e Austrália. Consumimos tudo o que a globalização permite que eles nos exportem. Seriados do Netflix, cantores de hip hop, viagem para Disney, Colgate Luminous White e pasta de amendoim. Não existe nenhum brasileiro que não compartilha o sonho americano. Afinal, o importante é ter conforto, mas luxo é sempre bom. Com desejos materiais tão caros, tanto apreço por um design moderno e necessidade constante de ter mais, uma crise econômica enlouqueceria o país.

Mas a crise chega. Nos deparamos com uma grande dívida externa e dificuldades de produção.
As ruas pedem: Impeachment da presidenta! E nada melhora. Impeachment duplo, tira o vice! Não muda quase nada. Traz aquele famoso combo de impeachment triplo e batata frita grande, por favor! Mas a crise é brava. Os brasileiros começam a ter muito medo. Medo de perder a SUV conquistada, o xampu L’Oreal que deixa o cabelo brilhoso, o iPhone 6 de 32 GB, o último PlayStation lançado, o apartamento com ar-condicionado em todos os quartos e o uísque Old Parr das visitas. O medo de perder o título exemplar de país em ascensão, como apontou grandes líderes e até mesmo o-pre-si-den-te-dos-Es-ta-dos-U-ni-dos!, leva a população a apoiar medidas drásticas.

“Vamos sanar nossas dívidas! Vamos ser ricos de novo! Vamos voltar a colocar o Real como uma das moedas mais bem cotadas pelo Banco Central! Eu tenho uma ideia, vamos vender a Amazônia!”
“Excelente ideia! Eu sou pós-graduado em Biologia pela melhor universidade alemã e sei que outros países poderão fazer um excelente uso desse bioma.”
“Sim, concordo. Eu faço Economia na Faculdade Getúlio Vargas e acho que podemos arrendar essa nossa mata inutilizada. É só uma medida provisória para restabelecer nossa economia.”
“Claro, o desejo do povo é meu desejo! Eu sou Ministro da Fazenda e posso dizer que temos uma proposta dos Estados Unidos que vai nos salvar. Vamos recuperar empregos, sanar nossas dívidas, voltar a investir em infra-estrutura, poderemos produzir novamente! Precisamos dar algo em troca, claro. Mas eles são ótimos, têm tecnologia suficiente para praticar seu capitalismo sustentável, completamente verde, vão saber usar o solo fértil da Amazônia. A gente nunca conseguira fazer o que eles vão fazer.”

Enfim começamos a ter de volta nossos carros luxuosos, nossos cosméticos importados, nossos eletrônicos modernos, mas não por muito tempo. Nossa natureza era sustentável por si só, mas o “capitalismo sustentável” exigiu tanto dela que deu tilt, deu ruim, pane, não tem volta, ela não vai mais funcionar. Quem já acompanhou o arrendamento de alguma terra sabe que essa medida não tem volta. Não tem solo que aguente agricultura intensiva, gananciosa, ostensiva. E então fica impossível gerar frutos e riqueza nessa mata morta.  A partir desse dia, os brasileiros se encaram com remorso, porque sabem que têm a culpa entalada na garganta. Nos sentimos burros e impotentes. Não tem um cidadão que não tenha se sentido explorado. Não tem um cidadão que não deseja voltar atrás.

Ok, voltemos à realidade, leitor. Nós não somos assim e não é assim que a nossa política funciona, amém. Qualquer semelhança com o discurso do seu tio consumista ou da sua vizinha reacionária é só coincidência. Essa viagem toda serviu para me lembrar que o sonho brasileiro é diferente. Pelo que eu conheço do nosso povo, nossa felicidade é abraçar todo mundo, levar a família para passar a emenda do feriado na beira do rio, aplaudir o pôr-do-sol na Pedra do Arpoador e colher umas jabuticabas no quintal. Isso não tem nada de ingênuo como parece. Os brasileiros podem ser caipiras para o resto do mundo, mas são esses hábitos que mostra o quanto valorizamos nossas raízes, nossos irmãos e nossa natureza. Que continuemos assim, provando que o nosso sonho é outro, e ele não tem nada a ver com o “sonho americano”.

Legenda foto 1: Seringal próximo a Petrolina de Goiás. Créditos: Isadora Otoni.
Legenda foto 2: Vegetação nativa do Cerrado, com árvores baixinhas e engraçadas. Créditos: Wikimedia Commons.

Arte de amar

No Comments »


Nathalia Giordano


Inspirado na peça AMOR que participei com o delicioso grupo Espaço Mágico. Trabalhamos durante um ano, juntei o que me restou das possíveis formas de amar e trago um breve relato.


Inspirado na peça AMOR do grupo Espaço Mágico 
Ir contra palpites óbvios. Ouvir conselhos, virar a esquina. Correr ao seu encontro. Te seguir pelos corredores como uma sombra que escolta seus passos. Deixar o teu calor a alguns metros para fazer o jantar. Te fazer o jantar. Atentar-me a sua respiração ao dormir, ameaçar um abraço, mas virar para o lado. Inflar pulmões com cheiro de vísceras humanas e te querer. Tremer a abstinência de afeto quando não há mais o que oferecer, pedir ainda mais. Não levar a sério suas paranoias. Acampar o tédio em mim ao ouvir em silêncio seus monólogos, assustar-se com o entardecer silencioso. Engolir lágrimas ásperas. Esconder meus defeitos, mas apresenta-los diariamente como um todo. Assistir às falhas de comunicação. Usar suas roupas. Sentir seu cheiro durante o dia, pulsar a saudade em sague quente. Dizer que não posso te encontrar, mesmo quando o peito se dilacera com a distância. Praguejar. Desejar não ter te conhecido, implorar para que o destino cruze ainda mais nossos caminhos.  Reclamar da presença, chorar. Rasgar-se angustiada. Morrer. Morrer de insegurança. Acabar com o amor, fazê-lo renascer no epicentro de todas as flores ao seu redor. Dormir com pés quentes. Aceitar o humor ranzinza, pedir mais afeto em contraponto. Deitar árabe em cama israelita. Assustar-se em brigas, ir embora. Abandonar nosso ninho, voltar três vezes. Errar, aceitar desculpas. Pedir perdão. Errar de novo.  Perder a realidade. Delirar. Sofrer palpitações noturnas, querer te acordar no meio da noite, não se mover. Acalmar-se ao te observar dormir. Ver seus pais. Ver você nos defeitos que reclama neles. Gostar de vocês juntos. Planejar o futuro, perceber que somos péssimos em criar rotas e cancelar todas elas. Habitar planetas distantes, suplicar por colisão. Sonhar com filhos, apavorar-se. Contemplar o mais belo quadro, a posição bagunçada em que ficam nossas escovas de dentes. Repugnar a proximidade. Esperar por um casamento, achar uma bobagem colossal. Implorar por provas de amor, não precisar de mais nada. Guerrear. Estrebuchar. Mergulhar em loucuras conjugais. Listar mil razões para partir, uma a mais para ficar. Se afastar, voltar sedenta. Aceitar o fim, recomeçar a cada instante. Alcançar seu íntimo, te conhecer. Implorar pela abstinência, beber mais. Suar corpos libidinosos. Brigar. Chorar a desesperança, sorrir o amor eterno. Rir do efêmero, sentir o infinito. Aceitar. Te aceitar.

Sapo alucinógeno

4 Comments »


Esse texto é contra a exploração de animais, mas a favor da compreensão das possibilidades da natureza. Sim, existe uma espécie de sapo que libera DMT

Isadora Otoni



Existem muitas polêmicas a cerca do que será exposto nesse texto. Por isso, peço para que você leia até o final para entender minha linha de raciocínio, e assim questionar o que você sentir que deve ser questionado. Eu aprecio o convite ao debate.

Há algum tempo, em uma roda de conversa entre amigos fritos, jogaram um assunto que me deixou muito curiosa: é possível utilizar o veneno liberado pelo sapo para fins recreativos. Encontrei com dificuldade algumas informações na internet sobre o tema. O texto mais confiável que encontrei sobre o assunto foi o estudo Alucinógenos Naturais: um Voo da Europa Medieval ao Brasil, publicado em 2009. Ainda assim, a referência ao tema é breve, resumido ao seguinte trecho: "A bufotenina, alucinógeno extraído da pele do sapo, possui propriedades alucinógenas muito semelhantes à DMT. A diferença entre estes alucinógenos é a presença de uma hidroxila na estrutura da bufotenina. Esta substância é produzida por espécies vegetais do gênero Anadenanthera e encontrada na pele de sapos do gênero Bufo.”

Conversei então com o biólogo Thiago Vinicius Pereira, que apesar de nunca ter realizado uma pesquisa sobre o tema, me explicou sobre o sapo alucinógeno. Na realidade, o bufotenina é composto por Dimetiltriptamina (DMT), toxina triptamina do grupo dos alcalóides. Esse grupo de substâncias psicoativas era muito usado pelos xamãs com fins medicinais, como cura do câncer e outras doenças. Fazem parte desse grupo a cafeína, cocaína, psilocibina (do cogumelo), codeína (da papoula) e outros nomes que você provavelmente conhece.


Rhinella marina (Wikimedia Commons)
Segundo Thiago, o bufotenina pode ser encontrado nas espécies Rhinella marina, encontrada principalmente na mata atlântica no Brasil, e Bufo alvarius, original dos Estados Unidos. Por meio das glândulas que ficam atrás dos ouvidos dessas espécies, podemos obter o DMT. Se essa foi a primeira vez que você ouviu falar nessa substância, saiba que ela é considerada como um enteogênico. Ao pé da letra, isso significa que ela causa a “manifestação interior do divino”. Mas pode também ser considerado um forte alucinógeno por alterar seu estado de consciência.

Mas para usar o DMT, explorar um sapo não é o melhor caminho.

Primeiro, porque você teria que tirar o animal de seu habitat natural e submetê-lo ao estresse de extrair o DMT de suas glândulas. Isso é exploração. E talvez exista gente que faça isso sem ter essa consciência.

Bufo alvarius (Wikimedia Commons)
Segundo, porque existem outras toxinas presentes no veneno dos sapos Rinella marina. A ingestão oral destas substâncias podem ocasionar efeitos colaterais inesperados, como ataques epilépticos, coma e eventualmente a morte. 

Terceiro, porque existem outras formas de experimentar o DMT. A natureza é tão fascinante que essa substância pode ser encontrada em vários gêneros de plantas, como Acacia, Anadenanthera, Chrysantheum, Psychotria, Desmanthus, Pilocarpus, Virola, Prestonia, Diploterys, Arundo, Phalaris. Esse é, inclusive, o princípio ativo da ayahuasca, bebida utilizada em rituais como o de Santo Daime. O próprio corpo humano sintetiza DMT. De acordo com estudos do psiquiatra Dr. Rick Strassman, a glândula pineal é a provável responsável por isso (recomendo uma pesquisa sobre outras possíveis responsabilidades da glândula pineal).

Preparo de ayahuasca (Wikimedia Commons)
Se por algum instante você se sentir desconfortável com esse texto e pensar que ele faz apologia às drogas, relembre: As drogas estão aí há milênios. Elas nascem da terra. É utópico pensar que alguma política conseguirá exterminá-las. Então, o melhor caminho é desmitificar as drogas, legalizá-las, e trabalhar com a redução de danos.

Ps: Esse texto não tem nada a ver com a “vacina do sapo”. Essa vacina é extraída da perereca amazônico Phyllomedusa bicolor, ou Kambô. A aplicação do veneno causa grande desconforto (calor, náuseas, dores no estômago) por aproximadamente 15 minutos. Essa medicina é usada para fortalecer o sistema imunológico e para afastar o “panema” (má sorte).

Pergunte ao sertanejo se ele anda de Camaro

No Comments »

Dizem que a cultura goiana vive seu auge, que o sertanejo está sendo realmente valorizado. Catira que é bom ninguém tá dançando
Isadora Otoni


Até a primeira metade do século XX, a ocupação do espaço goiano era predominantemente rural. A identidade cultural do estado era, portanto, a sertaneja. Devido à explosão do sertanejo universitário, o senso comum é de que a cultura goiana nunca esteve tão em voga, tão valorizada. No entanto, a cultura sertaneja não se encaixa com sertanejo universitário.

A dissertação “Felicidade engarrafada: Bebidas alcoólicas nas músicas sertanejas” revela, por exemplo, que dos 48 artistas do gênero mais famosos segundo o site “www.letras.terra.com.br”, apenas 7 não possuíam músicas relacionadas ao consumo de álcool. Um possível resumo das 243 letras que a pesquisadora Mariana Lioto catalogou é a música “Eu vou zuar e beber, vou locar uma van e levar a mulherada lá pro meu AP”, de Henrique e Diego.

Isso mostra que outro tema recorrente do sertanejo universitário é a ostentação, como no hit Camaro Amarelo da dupla Munhoz & Mariano: “Agora eu fiquei doce igual caramelo, tô tirando onda de Camaro amarelo". Uma pesquisa no Google evidencia que não só as letras giram em torno de uma felicidade material (Tipo Jurerê e Vem Ni Mim Dodge Ram), mas também os clipes trazem a imagem de um homem branco, heterossexual que se impõe às mulheres e, acima de tudo, rico (Piradinha e Empinadinha).

Não vou entrar no domínio do machismo, porque a tradição goiana nunca foi a de igualdade de gêneros. Entretanto, não identifico o homem sertanejo como a figura predominante no sertanejo universitário. Provavelmente essa nem é a ideia, então precisamos parar de achar que a cultura goiana está sendo valorizada.

O povo goiano tem origens de indígenas (os Goyá, oras) e de quilombolas (encontrei registro de pelo menos 12), além dos bandeirantes que nos colonizaram. Nossa cultura não é tradicionalmente europeia.

Quando penso em cultura sertaneja, lembro do que minha professora da primeira série tentou resgatar no imaginário de seus alunos. Os mutirões, por exemplo: era comum na sociedade rural que os vizinhos realizassem um trabalho coletivo para alguém que estava necessitando, e em troca, o necessitado oferecia uma festa. Nesses eventos, tocavam sanfona, dançavam catira, bebiam, é claro, e também se serviam de banquetes típicos (outra prova de que a cultura goiana não está tão em voga é que em São Paulo só temos dois restaurantes típicos. Eu tô com saudades da nossa pamonha, galera).

E não preciso ir tão longe da minhas próprias experiências. Meu pai morou na fazenda até os 7 anos, voltando todas as férias para roça até os 16 anos. Ele me contou que ouviam só as rádios AM porque lá não pegava FM, destacando o Programa do Zé Bettio, de música caipira, que fez muito sucesso nos anos 80. A agricultura da família era bem pequena, e tudo era construído com coletividade.

Da fazenda de nossa família, eu lembro de quando nos reuníamos para fazer pamonha: desfolhar o milho, tirar os “cabelos”, ouvir um modão sertanejo e fofocar sobre todo mundo da cidade inteira.

Os eventos mais bonitos e ricos que vi na cidade em que nasci, por exemplo, eram os religiosos. As procissões que passavam na frente de casa, com todos segurando velas acesas, enchiam meus olhos. A Folia de Reis, que também está presente em outros estados, me deslumbrava com comidas típicas, músicas poéticas, instrumentos e figurinos artesanais e palhaços que me amedrontavam.

Fica aqui um desejo de que não reduzam mais Goiás ao sertanejo universitário, e de que o sertanejo universitário termine sua graduação.

O sertanejo que meu pai lembra:

Legenda foto: Encontro de Folia de Reis em Goiânia. Créditos: Comissão Goiana de Folclore

Chá de hibisco com PCP

1 Comment »

Tecnoxamanismo: o irônico é que são os índios que nos inspiram a usar a tecnologia para refletir e desacelerar


Isadora Otoni



Você não discordaria de mim se eu dissesse que ao nosso redor, as pessoas estão cada vez mais com pressa. No feed do Facebook, os nossos contatos pedem para se desdobrarem em dois, reclamam da falta de tempo e das noites mal dormidas. É comum que alguns deles resolvam esse tempo corrido com apetrechos tecnológicos. Fazer uma entrevista por e-mail consome muito menos tempo do que pessoalmente. Usar o Google é bem mais prático do que o hábito demodê de ir à biblioteca. Pedir comida por um aplicativo é tão simples que ninguém questiona como seu pedido chega até sua mesa.

Mas essas pessoas são sempre tão aceleradas assim? A tecnologia também também pode ajudá-las a refletir pau-sa-da-men-te? O que está faltando?

Segundo um grupo de artistas e jovens intelectuais, falta primitividade. Eles superam a falta de reflexão e do “fazer com as próprias mãos” com o tecnoxamanismo: um híbrido entre tecnologia e xamanismo.

O conceito começou a ser vivenciado por esse grupo após a psicóloga Fabiane Borges propor a eles um festival de tecnoxamanismo em outras terras. Eles tentaram arrecadar dinheiro por crowdfunding, mas foi necessário organizar uma festa no Teatro Oficina, em São Paulo, para completar a grana. Mas eles conseguiram realizar o I Festival de Tecnoxamanismo.

"Foi um primeiro festival bem tímido em um sítio, ITAPECO (Instituto de Tecnologia Alternativa, Permacultura e ECOlogia), em Arraial D’Ajuda, na Bahia”, conta P I L A N T R Ö P Ó V. "A gente foi com o Ônibus Hacker. De lá praticamente consolidou o grupo que trabalhamos hoje, que são os Ney (Neyland)”.

Para aprender mais das práticas médicas, religiosas e filosóficas indígenas, o grupo teve contato com uma tribo Pataxó durante o festival. Os índios fizeram uma recepção aos jovens no primeiro dia. O segundo dia foi marcado por oficinas. No outro, um casamento foi realizado, cerimônia que não era feita há mais de dez anos pela tribo. “Por mais que seja uma integração tímida, porque nós não somos índios, foi super intenso pra gente”, conta P I L A N T R Ö P Ó V.

Diego Monte Alto, outro Ney, relata que um grande ponto positivo para o tecnoxamanismo é justamente o resgate da cultura indígena. “Eu sei de onde veio os meus parentes da Áustria e da Itália, mas não faço ideia de que tribo veio minha família, ou até de que lugar da África veio minha bisavó que foi escravizada”. Ele também lembrou que os próprios pataxós passavam por um resgate de sua cultura. Com tantas perseguições, a tribo perdeu o hábito de falar sua própria língua.

Tecnologia amiga

“Eu tinha um pouco de implicância com o termo tecné. Até foi um preconceito que foi diluído durante o percurso que a gente fez com o Keroaska e o Free Folk”, conta P I L A N T R Ö P Ó V, citando outros projetos artísticos que participa. “Antes a gente não usava energia elétrica, pensando que ela estabelece pontos de poder. Ou seja, só quem tem energia pode fazer tal coisa. Hoje em dia tocamos com instrumento acústico e eletrônico ao mesmo tempo”.

“Aí você vai entrar em contato com a tribo e ela tem seu próprio aparelho de gravação de vídeo, tem câmeras, celulares, eles fazem registros. E são xamãs”, relata Diego.

A tecnologia não vai ser descartada, então a solução apresentada é subverter o seu uso. Sendo assim, o tecnoxamanismo também pode ser apresentado em detalhes, como nas substâncias oferecidas para a realização de um ritual no festival de ITAPECO. Eles ofereceram Cactos wachuma, ayahuasca e chá de hibisco com PCP, substância sintético que causa alucinações.

Apropriação cultural

Apesar de utilizarem referências do xamanismo, o grupo não é formado por indígenas. Eles reconhecem isso. Por isso, uma crítica ao novo conceito é de apropriação cultural indevida, ao que rebatem dizendo que o tecnoxamanismo “é livre para todos”.

Entretanto, podemos afirmar veemente que mesmo passando dificuldades, um jovem paulistano tem uma vida mais fácil do que um índio Pataxó. Até porque nós não estamos resistindo há 500 anos a uma cultura hegemônica, nem somos assassinados só porque queremos um pedaço de terra para morar.

Legenda foto 1: Geodésica, espaço criado para o Festival de Tecnoxamanismo. Créditos: Nubia Abe.
Legenda foto 2: P I L A N T R Ö P Ó V e Diego Monte Alto, integrantes do Neyland. Créditos: Rafael Amambahy.

Melancolia

No Comments »

Nathalia Giordano

Lá vem ele, está me seguindo pelas esquinas de novo. 


Essa semana resolveu amarrar minhas mãos, deixou meu trabalho acumulado. Logo eu que havia despistado esse devorador de almas, jurei que a minha seria poupada. 
Haja força para manter o corpo funcionando, para deixar a vida nos trilhos. Como um carrossel, um cavalgar atrasado e, num piscar de olhos, estão todos perdidos fora do ciclo. Lá fora, a plateia assiste a tragédia e diz que a culpa é de quem deixou o primeiro cavalo desacelerar.
O nosso bater de asas é regrado, quem voa mais alto está fadado à queda. Justo seria se a rotação da Terra respeitasse a individualidade de cada voo.
E lá vem ele, gritando nos meus ouvidos que não vou conseguir voltar ao céu. Hoje me disse que os cavalos do meu carrossel se perderam por aí. Os desestímulos são tão altos que não consigo mais ouvir minhas próprias ideologias. Tanto faz. Quem era eu mesmo? Olhei no espelho e vi o reflexo assustador dele.
Ao abrir os olhos, todas as manhãs, vejo aquela sombra rondando as paredes do meu quarto. De novo, eu tinha prometido dessa vez chegar a tempo no trabalho, mas ele me prendeu na cama. Fiquei amarrada pelo peito, rolando de um lado para o outro até me soltar. O relógio, maior que eu, avisando que não daria tempo. Não deu.
Lá vem ele, está me seguindo pelas esquinas de novo. Vou correr mais rápido, vou abraçar vencedores, vou me munir de armas. Hoje ele me alcançou, mas amanhã não me pega.

Colar de prata roubado

1 Comment »

Isadora Otoni



Em uma rodoviária do litoral brasileiro, observei uma cena que me colocou para pensar. Um homem de uns 35 anos tentava vender um único colar, garantindo que era de prata verdadeira. Todo mundo sabia que era roubado. Acompanhada de seu filho adolescente, uma mulher que usava roupas humildes analisou o colar e acabou levando a peça por 10 reais.

Aquilo estava errado. Em toda a minha formação, aprendi que roubar é errado, que financiar o roubo é errado. Mas fiquei de mãos atadas. O que eu poderia dizer? Que alguém pode ter aquela corrente e seu filho não? Que eles não são merecedores de tais adornos? Que alguém trabalhou duro por aquele colar e ela não? Eu deveria também emendar uma lição sobre o porquê ela estava viajando de ônibus enquanto tantos outros viajavam de avião?

Aprendemos a julgar esse tipo de delitos sem antes entender o que leva as pessoas a cometerem-nos. Foi o mesmo processo com a divulgação do vídeo de uma mulher que gostaria de comprar uma calça de 300 reais para sua filha, usando o dinheiro do programa Bolsa Família. No Brasil (e em diversos outros países), acreditamos que a classe média merece mais que a população carente. Que só nós, estudantes de ótimas universidades, frequentadores de ótimas baladas e herdeiros de negócios da família, merecemos uma calça da Calvin Klein.

É tão fácil compreender esse tipo de injustiça que na época do sucesso do vídeo desacreditei na boa vontade dos meus contatos do Facebook. Ora, basta questionar: uma médica, uma advogada ou uma engenheira realmente trabalha mais que uma lavradora ou uma funcionária doméstica?

American Way of killing

No Comments »

Isadora Otoni


4 milhões de vietnamitas. 140 mil em Hiroshima. 80 mil em Nagasaki. Qual o maior vilão do mundo? Hitler!


Qual o mecanismo usado pelos Estados Unidos? Que tipo de força conseguiu apagar a memória cotidiana do mundo sobre as vítimas de seus ataques? Como conseguem restaurar tão facilmente o papel de coitado? Descobrir as técnicas de publicidade usadas pelos funcionários da Casa Branca seria um grande acréscimo intelectual, mas dá medo. Digamos que o estudioso ou infiltrado nos meios seja tão egoísta quanto as autoridades estadunidenses: uma vez em posse de mecanismos tão efetivos, nada o impediria de transformar o mundo na Oceânia de George Orwell.

Teoria radical? Sim, com toda certeza. Afinal, aprendi que precisamos estabelecer contrapontos. Não seria o extremismo um contraponto ideal para as milhares de vidas que terminam radicalmente, até mesmo subitamente, em combates frívolos, por questões econômicas e ideológicas? Se querem chamar de mirabolante ou conspirador as teorias do filme Zeitgeist, por exemplo, tudo bem. Entretanto, não sei o porquê a ideia de que o próprio Estados Unidos exterminou 3.278 vidas nos ataques de 11 de Setembro seja tão incrédula, visto que o mesmo país não hesitou em dizimar toda a população de duas cidades japonesas.

Confesso que vocifero com muito mais fundamentos nos sentimentos do que no conhecimento. E se você é um grande conhecedor da causa, faça o grande favor de expor sua opinião. Posso ser cruel, mas não consigo tratar os judeus como as vítimas desse mundo, pelos não poucos 6 milhões de mortos na Alemanha nazista. O genocídio merece sim espaço na nossa memória, supostamente para que algo assim não se repita. Entretanto, o que acontece é estarrecedor: os injustiçados de outrora se aliaram aos grandes para torturar a Palestina.

"Saia é bom" e outras histórias

No Comments »

Filipe Nunes


Por algum tipo de milagre extra-terreno, não recebi nenhuma injúria ou xingamento no dia em que participei do USP de Saia. Não fui nos eventos na USP como o Quinta i Breja, mas passei o dia todo de saia, andando pra cá e pra lá pelas ruas, resolvendo o que tinha que resolver. O máximo que recebi foram olhares que diziam “muleque estranho” ou “bixinha” ou talvez “que otário, ou acha que é mulher ou acha que está na  Escócia”, em contraste houve até alguns olhaves do tipo “hmmm, nada mal” e “ué? porque não né”. Outros alunos, porém, passaram um dia inteiro escutando vituperações no campus.

No mesmo dia, porém a 1000 Km de distância, a situação foi menos tranquila. Um protesto organizado por estudantes contra o aumento da passagem de ônibus em Goiânia foi cruelmente combatido pela PM. Gás lacrimogênio foi jogado contra protestantes, trabalhadores e idosos que esperavam ônibus no terminal; policiais bateram na multidão com pedaços de pau encontrados no chão; um garoto teve queimaduras no joelho por ter sido arrastado no asfalto; uma criança de dois anos levou um tiro de 9mm (caso queira mais informações sobre os acontecimentos, sugiro que você entre aqui, aqui e aqui).

Independente da gravidade dos assuntos e das repercussões, ambas foram ações diretas, que atraíram olhares de vários desavisados e pretendiam mudanças de alguma forma. A chamada manifestação, presente desde os primórdios da vida política das sociedades. Quem esteve presente e participou acabou aprendendo uma série de conceitos e atitudes que passam batido para os que ficam em casa.

No meio da tarde de meu dia de saia, uma mulher veio em minha direção com intuito de perguntar alguma coisa; era uma idosa, com rosto bem redondo e algumas verrugas, manchas de sol e marcas de expressão, estava ofegante.

- Meu filho, acabei de voltar do Hospital Universitário. Me recomendaram um exame do coração e fui fazer, agora estou muito cansada, você não teria um dinheirinho para um lanche ou pro transporte?

Infelizmente, estava tão duro quando a senhora.

- Não tem problema meu filho. Te perguntei mesmo foi por causa da saia. Meu filho quando tinha 16 17 anos usava muito, lembrei dele. Usa mesmo. Saia é bom.

A senhora provavelmente não sabia das manifestações do USP de Saia, não estava preocupada com isso, faltava-lhe o dinheiro da mesma forma que faltava-lhe preconceitos. Um pensamento simples como “Saia é bom” é apenas o que eu queria ouvir para usar a peça como parte de meu guarda-roupa pelo resto da vida.

A idosa também me fez refletir sobre a atitude de certos jovens sobre as constantes mudanças de pensamento da época que vivemos. Me parece que a adolescência não têm mais o papel de fomentar e apresentar novidades e sim se distânciar delas como quem foge de problemas da vida adulta. Juventude não é mais uma procura por aventura, diferenciação, mas sim de estabilidade. E uma pessoa de idade, interessantemente, teve que se arriscar para fazer um exame do coração; mas ela não se importa, pois pode pedir dinheiro para um garoto que a lembra de seu filho. Para mim, uma atitude quase beatnik, viver montando histórias.

Aposto que os que participaram dos protestos contra aumento das passagens conversaram de forma parecida com as pessoas que estavam esperando o ônibus para finalmente voltar para suas casas e almoçar (ou o contrário, começar o dia de trabalho). Pessoas que foram violentadas, pelas autoridades políticas, pelas tropas de choque e por jovens delirantes no Facebook. Pessoas com pensamento tão variado que estariam junto com os protestantes espalhando o caos e expurgando ideologias revolucionárias pelos ares se não precisassem chegar cedo no trabalho ou esperar longamente por um 020 lotado.

Me sinto um pouco chateado por não ter ido nem ao protesto em Goiânia nem ter interagido com os meninos de saia na USP. É quase contradizer todo o resto de meu texto, mas foi o que aconteceu. Mas, bom, reajuste aqui em São Paulo se aproxima e minha saia está aqui. Além disso, tenho em mente as pessoas deste mundo e as reflexões de outro.


Meu autoajuda: como conseguir um estágio

5 Comments »

Isadora Otoni

Nessa semana, fui a campo pesquisar sobre os processos seletivos de estágio para escrever uma reportagem temática que meu professor pediu. Acredito que poderia ter apurado melhor para realizar a matéria, mas algumas informações que eu descobri foram bem relevantes para entender os critérios de seleção de um candidato. Como a maioria dos leitores são meus amigos e estão na mesma fase que eu, é possível que o conteúdo seja pertinente para vocês. Se for ou não, me avise. 

Sei que a formação voltada para o mercado de trabalho é péssimo. Nós realmente precisamos focar mais nas atividades acadêmicas e se preocupar com o conhecimento. Além de que muitas empresas buscam estagiários para realizar uma atividade de um jornalista pela metade do preço. Também tenho nota de que o ingresso no estágio vem por efeito cascata, ou seja, se uma pessoa já está contratada, a outras começam a procurar uma vaga. Entretanto, como eu já faço um curso sem legitimidade e desvalorizado, preciso correr atrás do prejuízo para não passar fome. Infelizmente.

De qualquer maneira, aí vão algumas dicas e curiosidades para ir melhor na sua próxima entrevista:

Segundo Vera Jardim, do site O Fuxico, detalhes estéticos são levados em conta durante a seleção. A pessoa deve usar uma roupa discreta e limpa, e também precisa estar cheirosa, mas sem muito perfume. Pessoalmente, ela reprova candidatos com muitas tatuagens, piercings, alargadores e cabelo exótico demais. Vera também não gosta de entrevistados prolixos, que se gabam de seus conhecimentos e se acham fantásticos. Perguntar quanto vai ganhar e quais os direitos que tem logo de cara também desclassifica o estudante. Ademais, não é bom ligar e mandar muitos e-mails questionando o resultado do processo.

Olhar no olho, se expressar bem e ser firme são alguns comportamentos imprescindíveis em sua entrevista. Como complemento da seleção, o O Fuxico faz um teste de conhecimento. Vera deu algumas dicas para garantir o estágio: "Estudar, principalmente o português, ler muito sobre tudo, treinar escrever, ser humilde, natural e sincero nas entrevistas."

Já Gustavo Anacleto, da Payleven, acha que o aspirante ao estágio deve vender seu peixe. Em uma feedback pessoal que o recrutador me concedeu, ele disse que não conseguiu enxergar a escritora desse blog durante a entrevista [sim, não consegui o trampo ): ]. Para ele, devemos falar sobre os desafios da faculdade, os projetos que realizamos e também, em casos específicos, sobre como é morar sozinho ou mudar de cidade. Entretanto, Gustavo disse que conhecimentos técnicos, como Corel Draw ou Adobe Photoshop, são bem importantes.

Em uma análise dos processos seletivos, Rosa Decina disse que para cada empresa e vaga é necessário um perfil diferente de estagiário. Ela trabalha há 20 anos com Recursos Humanos e contou que precisamos entender o que a vaga quer de nós. Para trabalhar atrás do computador, eles recrutam pessoas mais quietas, mas se for para um cargo que utilize a comunicação verbal, o candidato deve se descrever com precisão. Mas tudo sem eloquência e com domínio da língua portuguesa, que são boas atitudes genéricas. Outro conselho dado por Rosa é, em uma dinâmica de grupo, demonstrar liderança e trabalho em equipe.

Afinal, para conseguir um estágio tudo que precisamos ser é, basicamente, o Chuck Norris. Não conheço uma só pessoa que domine bem o português, tenha liderança, trabalhe em equipe, saiba usar Corel Draw e Photoshop, consiga se descrever com precisão, não tenha muitas tatuagens, piercings, alargadores ou cabelos exóticos, estude muito, leia muito, seja firme, humilde, natural, conciso, sincero, e, por fim, que saiba qual é o perfil que a empresa e a vaga esperam de você. Porém, continuemos a nadar.

"Essa cidade é um tesão"

6 Comments »



Cris Duarte se denomina "Diretor de Arte Urbano". Não é para menos: ele pedala por São Paulo com uma câmera integrada à sua bicicleta mostrando a arte na cidade. Seu projeto é dividido em três episódios. No primeiro, Cris sai da Vila Madalena e vai a galeria Romero Britto conferir uma exposição. O que ele tem a ver com esse post?

Em certo momento do vídeo, o publicitário afirma que "essa cidade [São Paulo] é um tesão. Essa cidade tem de tudo. Todas as tribos, todas as raças. Você encontra cultura em cada canto da cidade. A arte está até no caos." A partir disso, quebrei meu bloqueio criativo e resolvi fazer um guia para os turistas, os paulistas novatos e os veteranos desligados. Mas eu não sou flâneur o suficiente. Por isso, meu guia é de guias onlines, sites para você pode colocar nos favoritos e visitar quando tiver sem ideias para um bate perna.


Rolet 20Conto
Essa é para você sair com a galera sem voltar para casa falido. Pode ser que você não encontre a melhor comida do mundo, mas vai sair de barriga cheia por um preço honesto (até 20 reais). O guia foi criado por estudantes da minha faculdade (Cásper Líbero), e, apesar da linguagem z0adA, os caras podem realmente salvar o rolê! Confiram o blog e a página no facebook.

Catraca Livre
Todos amam o Catraca Livre. O site deveria ganhar uma medalha de utilidade pública (isso não deve existir) por divulgar cultura acessível por aí. Além das publicações sobre os mais diversos projetos, eles divulgam a melhor agenda da semana de São Paulo e do Rio de Janeiro. Por exemplo, hoje tem show no Studio SP de graça! Aí sim! Segue o site de sampa.

MADMAG
A MADMAG nasceu como revista impressa. Hoje eles são uma e-magazine abastecida com eventos de cultura, música, moda e baladas. Um detalhe bem legal é que eles adoram aumentar sua equipe de fotógrafos. Você não ganha nada de início, mas já pode fazer um portfólio. Enfim, dá uma passada por lá quando estiver sem programação.
B.Coolt
A B.Coolt é uma revista online semanal com dicas culturais de entretenimento. O guia é uma alternativa para quem não tem nem dinheiro e nem paciência para assinar o Guia da Folha e o Divirta-se, afinal, você teria que fechar um pacote de toneladas de folhas. A grande diferença é que você terá dicas mais selecionadas, ou seja, atrações mais descoladas. Cadastre-se aqui.

São Paulo para Iniciantes
O site já conta com mais de 10 mil likes no Facebook. E, se você fizer uma breve pesquisa, vai perceber que a maioria dos seguidores não são iniciantes na cidade. Isso porque as dicas do blog são verdadeiras descobertas. Por exemplo, do lado da minha casa tem o melhor restaurante coreano do mundo, o bbq, e eu só fui descobrir isso quando li no São Paulo para Iniciantes.



Culturalmente confuso
O grupo no Facebook não é só legal para saber o que fazer no fim de semana. Lá, você tem a liberdade de divulgar o seu evento e de, quem sabe, arrumar uma companhia para o show daquela banda que só você conhece. Com mais de sete mil membros, o Culturalmente confuso abrange os mais diversos programas, sem restrição de local ou preço. É claro que São Paulo comanda, como sempre. Mas não rola preconceito com a galera de Jacutinga. Entra lá no grupo.

Ps: amanhã rola a lista oficial dos artistas da Virada Cultural 2013, que acontecerá nos dias 18 e 19 de maio. 

Isadora Otoni
(assinei em baixo para não estragar o banner, rs)

Você é rico de tempo?

2 Comments »

Isadora Otoni

Ontem, durante uma aula da faculdade, minha amiga me disse: "Estamos todos fodidos."


Mesmo que a frase não precisasse de explicações (porque todo mundo se sente um fodido em algum ponto da vida), gostei dos motivos que ela me deu para pensar assim. Nós temos 24 horas no dia. Dormimos 7 horas, no mínimo. Saímos de casa às 7h30 para estudar e voltamos às 19h00 do trabalho, o que tira 12 horas e meia do nosso dia. Sobram 4 horas e meia livres. Acredito que seja essa a rotina da maioria de vocês.

Mas seriam livres as horas gastas com compras no supermercado, banhos, médicos, trocas de roupas, trabalhos para faculdade, leituras obrigatórias, tarefas domésticas, transporte, contas para pagar, e outras coisas que não podemos deixar de fazer? Seriam livres as horas gastas com exercícios físicos, cabeleireiro, leitura de noticiários, dentistas, dar banho no seu cachorro, e outras atividades aparentemente opcionais? Eu não sinto liberdade nesses momentos.

Sinceramente, se você tem apenas dois dias da sua semana para dormir o quanto quiser, comer onde quiser e fazer o que quiser na hora que bem entender, você não é melhor que eu. Afinal, dois dias da semana não é nem 30% do seu tempo de vida. Isso não é vantagem nenhuma. A partir de hoje, o tempo livre é o meu quesito para decidir se alguém tem uma vida pior ou melhor que a minha. Só seremos ricos ou pobres de tempo.

E me diz, quem é o felizardo que consegue viver a vida com 15 horas livres por dia? Esse sujeito não é real mas é o sonho de vida de todo mundo. E ainda falam que sonhar é poder! Então somos todos uns fodidos, que será escravizado pelas atividades chatas do dia. E não adianta dizer que trabalha para poder ser livre um dia, porque quando você se aposentar será escravizado pelo cansaço, pela velhice e pelo bingo no lar de idosos.